Ela defende que a justiça em prol das pessoas devem exigir que o secretário de Estado, Robert Gates, e outras autoridades sejam questionadas

Jamie Corpuz, The Western Sun, 13.4.2011
tradução de Edu Montesanti

Malalai Joya sign her book for supporters
Malalaï Joya (Photo: Jamie Corpuz)

Em 2010, ela foi aclamada pela revista Time uma das pessoas mais influentes do mundo. Nesse mesmo ano, foi indicada à lista anual da revista Foreign Policy, entre os "100 Pensadores Top Globais". Ela sobreviveu a quatro tentativas de assassinato.

O nome dela não é familiar ao Ocidente, mas no Oriente Médio seu nome inflama paixões nos corações dos rebeldes, e ressoa indignação entre os aproveitadores da guerra. Malalaï Joya, uma ex-parlamentar exilado de seu cargo eletivo no Afeganistão, falou na Golden West College, em Huntington Beach, Califórnia, sexta-feira 8 de abril. Ela trilhou um longo caminho de casa.

A instrutora e conselheira do clube Paz de Espírito e de Corpo, Fran Farazdaghi, esteve "honrada" quando viu-se perante a oportunidade de ter Malalai apresentando sua história no campus da faculdade, como parte da turnê do livro de memórias de Joya, "Uma Mulher entre os Senhores da Guerra: A Extraordinária de uma Afegã que se Atreveu a Erguer sua Voz".

Soonali Kolhatkar, co-diretora da Afghan Women's Mission (Missão das Mulheres Afegãs), elogiou o heroísmo de Joya na sua introdução elogiando sua coragem afirmando: "Ela usou seu poder, usou sua presença para enfrentar os senhores da guerra, que a haviam ameaçado".

Kolhatihar contou à platéia do I Fórum do GWC, sobra as dificuldades que enfrentou Joya em sua batalha para desafiar os opressores da verdadeira democracia afegã, e como ela continua propagando o movimento antiguerra, compartilhando suas experiências e divulgando a tragédia da vida das pessoas, levadas ao fogo cruzado de uma guerra que, ela acredita, agora causam mais mal do que bem.

"Não é o suficiente levar ao tribunal as poucas pessoas que cometem crimes de guerra... na minha província natal, no ano passado, em um único dia 150 pessoas foram mortas por fósforo branco [queimaduras]... e pedir desculpa pagando 2 mil dólares, não é suficiente" disse Joya.

Ela defende que a justiça, em prol das pessoas, deve exigir que o secretário de Estado, Robert Gates, e outras autoridades sejam questionadas.

Seu principal argumento é que a OTAN e os Estados Unidos estavam gravemente equivocados quando aprovaram os antigos senhores da guerra da década de 1990, após ter destituído o Taliban.

Ela clamou que a melhor maneira do "povo amante da paz no Ocidente" poderia ajudar o Afeganistão, é investindo nas escolas, nas organizações sem fins lucrativos e apoiando o amplo movimento popular afegão por democracia.

Ela afirmou que bombardear e matar não ajudam mulheres e crianças, estupradas e desconfiguradas, nem os manifestantes estudantis que são espancados e assassinados. Ela afirma que subsidiar os esforços de guerra apenas incentiva a corrupção, asfixia o crescimento da democracia e alimenta o fascismo.

Ela citou a terceirização de um contrato de mina afegã de cobre para a estatal chinesa Metallurgical Group em 2007, como uma das muitas maneiras que o povo do Afeganistão tem sido roubado dos lucros adquiridos a partir de seus próprios recursos naturais.

O incidente rendeu muitas críticas quando foi divulgado que o ministro afegão, Mohammad Ibrahim Adel, aceitou um suborno de 30 milhões de dólares para aprovar a venda do contrato à empresa chinesa.

Ao tentar entrar nos EUA em março deste ano para dar continuidade ao giro de seu livro, o visto de entrada à Joya foi negado.

Joya afirmou que as razões apresentaas foram o fato de que ela estava vivendo escondida [jurada de morte tanto por talibans, quanto por senhores a guerra, grifo deste Blog] e por estar desempregada, ambos os problemas de anteriormente acabaram não sendo assim de acordo com o Departamento de Estado dos EUA.

Ela explicou que foi graças a uma enorme quantidade de petições e de protestos de apoiantes, que conseguiu ter a negação ao país revista.

Joya sugeriu que as razões políticas para a recusa se deram, talvez, porque ela tinha "exposto algumas políticas erradas", irritando as pessoas no poder que lucram com a guerra.

Quais são as políticas corretas? O Afeganistão pode alcançar paz e democracia em seu próprio país?

Após 10 anos de ocupação, é hora de retirar as forças e permitir que o povo do Afeganistão aprenda a promover tudo isso por si mesmo? Malalaï acredita que sim.